Ouça aqui bem, meu amigo,
O que lhe tenho a contar.
O meu limoeiro antigo
Cedo cuidei de podar.
A tesoura então eu peguei
Para os seus galhos cortar
E estranha coisa topei.
Passo agora a relatar.
Veja, meu amigo, você
Pode até não acreditar.
Era tamanho GG
Do design nem vou falar.
Cerzida em tecido rosa
Com o verde a contrastar
Coisa mesmo curiosa
Para num limoeiro estar.
Ei-la diante de mim
Se me dando ao olhar.
Tomou-me a dúvida assim:
"Devo pegar, não pegar?"
Nas mãos agora eu tinha
Algo para matutar.
Como é que uma calcinha
Vai num limoeiro parar?
Pertenceria à vizinha
Dona do segundo andar
Ou à francesa que vinha
Em Fortaleza estudar?
De qual delas duas não sei
Com certeza precisar.
Sei que oferecida a achei
No limoeiro a se dar.
Assumo entanto que mais
E vou a você confessar
A mim muito mais me apraz
Calcinha a cueca encontrar.
Fértil minha cabecinha
Deu então de cogitar
Com muitos pés de calcinha
Um generoso pomar.
Resumo enfim o roteiro:
Absorto a imaginar
Fiquei o meu limoeiro
Esquecido de podar.
-