ACADEMIA DA PERFEIÇÃO
A graça com que se move
A deusa da academia
Deslumbra a todos, comove
Mais do que tudo, inebria.
Do que ela bem mais formosa
Apareceu a desfilar
Outra moça, toda prosa,
A sucedendo no altar.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
Para instalar-se no posto
Soberana chega agora
Uma jovem cujo rosto
Era o de Nossa Senhora.
Demoníaca outra veio
Nossa santa desbancar.
(Bela bunda, belo seio!)
Fez o tal rosto olvidar.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
Nem tão deusa, nem tão santa,
Diabólica, muito menos,
Mas tem algo que encanta
A mulher que agora vemos.
Fica a imagem feminina
De outra mais que nos enlaça
Registrada na retina
De quem que por ela passa.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
Conturbando a nossa paz
Surge então na academia
(É impossível! Outra mais?)
Uma gata que não mia.
Vestida em tão belo traje
Haverá mais elegante?
Dela fica à passagem
Toda a pista ofegante.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
Olhar vale muito a pena
Esta perna, bunda e peito.
As formas dessa morena
De desver não tem mais jeito.
Sensual beleza esbanja
E nos faz imaginar,
Vestida em collant laranja,
A nova deusa no altar.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
Um amigo meu me disse
Que ficou a contemplar
De outra mulher a faceirice,
No jeito suave de andar.
Dirigiu a ela um bom dia,
Que tonitruante respostou
Devolvendo-lhe o bom dia
Com sua voz de tenor.
Como rodar é da roda
Certo outra delas virá
Num moda sucede moda
Ocupar-lhes o lugar.
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